sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nasceu em mim um poeta apaixonado

nasceu em mim um poeta apaixonado
você, bela dama, na noite em que
meus olhos a viram(despiram) pela
primeira vez, fez do meu coração
um lar seu, um abrigo seguro que,
lhe asseguro, agora palpita em
apuros a lhe esperar.

assas és para esse poeta pueril
seu admirador, fã de sua imagem
sob a lua, da sua incontestável
beleza pura, crua, de sua admirável
forma do pecado. seu corpo um porto
que docemente eu saberia atracar,
se me permite dizer, dele faria o
meu lar, e, a sua alma seria com
certeza meu universo paralelo, a beleza
de um mistério que eu amaria desvendar.

a poesia ficou mais lamuriosa, meus versos
agora são em prosa, sou palavras à ti,
vou além de mim, busco no lirismo dessas
linhas expressar o princípio do amor
o sentimento que me lança do precipício
a lhe encontrar, o ardor do seu corpo
a me esperar. fico a imaginar o sabor
da sua boca, penso em seus lábios que
espero um dia o doce veneno provar,
seu beijo, seu mel quero provar, fico
assim delirando e impacientemente
esperando o seu aval para ti devorar.

flor de rocha, beleza petrificada,
musa singular, saiba que um dia serei
seu grande achado, vou por ti então
assim querendo ser amado...

nasceu em mim um poeta apaixonado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lua doce lua

musa de todos os desassossegados,
dama fiel dos inquietos poetas,
feiticeira dos céus,
bruxa de sorrisos plácidos,
dona das minhas sextas...
lua...musa apaixonada.
mágoas embriagadas em lágrimas que
temperam minha face iluminada.
destiladas mágoas lamuriosas canto à ti
no grito profundo de todos os ébrios
que abrigo em mim, e,
que blasfemo sem saber por que fim.
sua crua luz me acompanha, me segue,
me segue ali, juntinho, até o fim.
musa dos desejos ilícitos, deusa pálida
da alma dessas palavras que compõem
meu pensamento:
-lua, ofereço-me a ti, nesse momento,
nesses versos aqui, vendo minha alma,
sem custo, e, à mim, aceita-me como esmola,
como amante, como poema outro, indiferente,
como voluntário sem meta à habitar seu mundo,

seu universo de boêmios e estúpidos poetas delirantes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Volume dois

...volta a andar como um louco que
nunca deixou de ser no pensar, volta
a ser o que era e o que é, e, assim
como foi, volta a ser o que sempre será...

o que procura a vida em você, é o que
ela sempre teve e o que sempre terá, é
a mútua ideia de conviver, a ideia do
entardecer vivo, e ao anoitecer, não morrer
mas se desprender da vida como quem pede
"sai fora" e viver a eternidade dentro
do risco de estar vivo numa noite louca e
perigosa, efêmera eternidade. a verdade
sobre isso é o dia que vem suave como
um tapa na cara, é você de novo, voltando
a andar como um louco que nunca deixou
de ser no pensar, volta a ser o que era e
o que é, e, assim como sempre foi volta
a ser o que sempre será.

...a droga da espiritualidade da espiritualidade
que vem com as drogas...

já é hora de revolta, os pontos fracos
já não são mais fracos, muito menos pontos
são visões psicodélicas que no auge de sua
contemplação é a sua face inexpressivamente
feliz e experiente, estragada e deprimente
em frente ao espelho, o mesmo usado como
base para aspirar a imagem dos microscópicos
pontos fracos. o que será que pensam, sobre
o que pensam os que ainda pensam?
o que tememos agora? vai homem, cansado
do fardo de ir à luta, de continuar achando
que toda essa história é apenas algo bom
para gritar, escrever, já é hora de romper
e, mais do que preciso dizer é gritar que
sempre é hora de revolta, de contestar revoltas
e de tentar achar algo novo dentro da droga
da espiritualidade da espiritualidade que
vem com as drogas

...liberdade para usar, pra jogar, pra matar
liberdade pra viver o que querer o pensamento
do sujeito que conjuga o verbo amar...

vôa às faces de toda essa grande e pueril
massa de personagens, a impetuosa ventania
de subversivas emoções, de ideias cheias de
vontade de algo mais, pois acho que, longe
do descanso, penso que depois de tanto preciso
de muito mais. sou a música que me escuta
sou, quem sou? vou na batida, no groove do
roquenrou que é a desculpa pra dizer pra vida
que sou o que sou, vou na mímica de mostrar
pra mim que posso ser o que souber rimar
comigo no sentido de amar o inimigo, mesmo
que o mesmo seja o perigo de usar a liberdade
para se embriagar de vícios, de ter liberdade
de derrubar mitos, de verbalizar e entoar gritos
de rebeldia, versos de liberdade pra usar,
pra jogar, pra matar, liberdade pra viver o que
querer o pensamento do sujeito que conjuga

o verbo amar.