quarta-feira, 30 de abril de 2008

A CONTRARIO SENSU

anistiada por minha fraqueza, você,
nada em minhas poesias, foge
incansavelmente do meu exílio, e,
leva sempre contigo, de mim, o
outono em que me abrigo...
rainha da minha alma ruinosa
algoz de todas as minhas feridas

cale a dor que me arrasta pela vida.

Versos versus Versos

a tristeza é meu passatempo
a timidez, o cartão de visitas
a verdade, mentira persuasiva
a mentira, verdade suja e omissa
a igreja, hipócrita em demasia.
os homens, corruptos idealistas
a angustia, eterna disciplina
o amor, dor adrenalina
a dor, amor em demasia
a cura, não há cura na loucura
a loucura, a fuga que me atura
a fuga, minha triunfal saída
a saída, drogas em demasia
o poeta violenta as palavras
as palavras escravizam o poeta, e,
esses versos inquebráveis
versus palavras mortas, são
versos que o amor abriga,
versus escárnios à musa maldita, que,
se esconde explicitamente em

meus relicários, vazios em demasia.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

matar você!

do desejo involuntário que brota depois de muito e de insistentemente tentar matar você, eu começo esse poema como o vapor que desesperadamente e feliz em demasia foge da água fervente, sua essência. escavo profundas cavernas em meus medos, minto no propósito da veracidade, as coisas inexplicáveis, e, por isso verdadeiras. minha pessoa feliz tem uma aparência lúbrica e cinzenta, magra e fria como o aço. minha sombra oxidada se arrasta atrás de mim como uma praga cansada e derrotada, planto flores em minha fossa, me abrigo nas cavernas já habitadas por mim mesmo, finjo que tudo bem, não me importo em ti ver, e, no mesmo sorriso blasfemo claramente algo como "desejo matar você", pois meu amor vitalício, explicitamente exposto à ti , é totalmente nocivo pra mim, e, contudo sempre funciona apenas como vício, delírios de um louco que apenas quer se entender. matar você, matar você... amo-te, e, espero que morra sempre que tentar me esquecer, que você se autodestrua no inverso da apatia que cultivo por ti na minha ira. que morra feliz, pois feliz sou em saber que também morri.