dedos tortos e empunhar
a pena para desenhar meus
retorcidos versos:
desdenhar da métrica e do
academicismo, definhar a
estética que sugere, ou
melhor, que dita regras e
formas exatas de poemas
para se fazer poesia.
Nada pode soar mais patético
do que achar que o
conceito de poesia tem
alguma coisa a ver com
o formato quadrado da
forma final do verso,
forma quadrada ou qualquer
outra pré definida em
cartilhas de poetas
catedráticos pré-ocupados
sempre apenas com a forma
e jamais com o conteúdo.
Inspiração para eles é achar
uma palavra que caiba dentro
da métrica do protocolo e
estrutura da rima,
ou do ritmo da rima com a
métrica, que deve
obrigatoriamente
ser isso para rimar
com aquilo e soar
agora dese jeito para
depois poder rimar
com o verso de acolá:
Abaixo a métrica!
Abaixo a rima!
Rítmica ridícula, boba,
e estúpidas que empobrecem
a poesia, demonizam o
texto poético e
enraivezem poetas que
lutam pela liberdade
ideológica dos versos.
Liberdade para ser e existir
da maneira que cabem onde
quer que queiram se
permitir ser e estar para
poder fazer tudo aquilo que
a inspiração do poeta tem
a dizer, ou tem a calar.
Simetria nada tem a ver com
poesia, poesia desmesurada
por natureza, pela sua natureza
desmedida, poesia em si mesma
compreende também todo o
entorno. Poesia é um universo
em constante expansão, e não
somente um ponto denso e
compactado.
Minha poesia é muito mais do
que formatos pré estabelecidos,
desenhados e re-desenhados
apenas por uma questão
d'estética, poesia é anti-estética,
não tem a ver com aparências,
pois foge de querer se parecer
com qualquer outra coisa que
não Ela, poesia não se parece
com nada, não é palpável, é
antimatéria, é maleável na
medida que se desenvolve
para mais ou para menos
dentro ou fora dos seus
limites inexistentes...
mas jamais minha
poesia caberá
dentro de
formatos
e moldes.
À rigor por via de regra,
o rigor:
dà rima,
dà forma,
do ritmo a reger o enredo
dentro de um limite que
caiba o texto.
A ranger os dentes da poética
de raiva por não poder estar
disposta no poema por completa.
Poesia é, por via de regra,
a medida daquilo que não
se pode medir,
e mesmo assim
medita o poeta discípulo
da métrica sobre como
pode deixar a poesia mais
complicada e hermética:
uma poesia excludente de
versos e não inclusiva de
todo tipo de versificação
que a inspiração possa
realizar.
O poema é só um dos
muitos e variados corpos
da poesia, o éter poesia
que pode preencher não
só o quadrado, mas também
o círculo, o triângulo,
agroglifos, e qualquer outra
característica geométrica
da forma final daquilo
que se escreve:
Poeta escreve poesia
e não desenhos técnicos.
Que herói mesmo seja o verso livre,
e não o metro heróico, ou versos
em tetrâmetro trocaico, pentâmetro
ou cantos poéticos em hexâmetro
dactílico, parece-me muito esdrúxulo,
em se tratando de poesia, todos esses
termos, diria, estúpidos.
Metro iâmbico, ou o escambau, para
versos decassílabos ou dodecassílabos
para um poema simples ou profundo:
o que me importa o número de sílabas
se o que tenho a dizer como poeta é o
que diz minha poesia com todas as
letras que ela tem a declarar, e não
como ela faz isso, compactando versos,
encaixotando-os de forma a esquartejar
a poética e inspiração, ou seja, o que
traz minha poesia são pergaminhos
densos, desconformes, destoantes, etc.,
de uma escrita profunda e, assimétrica
a linha de raciocínio, o texto é todo
proposto, propício e proporcional a
tudo aquilo que tem a dizer a pena,
e não como cadernetas em brochura de
anotações técnicas, de capa bonita,
vindas dentro de caixas de sapatos,
ou charutos, com desenhos
simétricamente precisos de caracteres
ordenados matematicamente idênticos
dentro de quadrados ou quadras
retangulares ou cilindros triangulares
ou triângulos acutânculos e o que mais
pregar a maneira correta de ordenar os
versos dentro de estrofes perfeitamente
alinhadas dentro de poemas alinhados
como que se os versos ali presentes
fossem soldados de algum exército
em formação para algum exercício de
guerra.
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