terça-feira, 9 de junho de 2026

Magnum Opus Posthumous

Deles para com os demais,
outros animais e nós mesmos,
a regra:
futuro é extinção!
A humanidade em guerra,
os Homens e máquinas
aniquilam-se ambos,
mutuamente toda vivalma
cai por Terra em redundante 
matança:
nações contra nações,
crenças contra crenças,
povos contra povos,
Homens contra Homens:
soldados, todos soldados 
assassinos, todos soldados
mortos.
Morreram e mataram-se todos.
A humanidade toda, isto é,
todos os humanos foram
por Eles mesmos aniquilados:
crianças, jovens, mulheres e
homens, idosos, em
absoluto, absurdamente 
todos mataram-se.
Todos morrem na guerra,
cada santo, religiosamente,
um seguido do outro.

Um dia após o fim do mundo,
apesar dos escombros entre
fumaças, e dos monturos 
pútridos de toda sorte de
carcaças humanas, já era
possível observar e sentir 
alguma paz. 
Não existe mais humano algum,
apenas, percebia-se pela
destruição, sinais de que passaram
e habitaram por ali.
No decorrer dos dias o que se
pode perceber é que uma paz
sublime, sobre-humana,
tornava-se cada vez mais
evidente:
não haviam mais Homens,
não haviam mais Homens,
não haviam mais Homens,
por todo o horizonte não 
se viam mais Homens.



domingo, 7 de junho de 2026

Rosasquerosa

Despe-se de pétalas de rebeldia,
como plumas, vestes de mais um
carnaval suprimido, de uma rosa
que insinua-se nua para um jardim 
todo conservador, e canalha 
em flores, canastronas todas 
dum jardim vítreo, falso imaculado,
e em um canteiro um palco, 
e a rosa em dança desabrocha
asquerosa, ímpio glamour
aos olhos de uma plateia toda
pura e santa, também um público 
de sádicos jardineiros, deuses
para as flores. A rosa arrasa e
morre tendo tido carrega sua
prole em pólen por abelhas
libertárias.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Um Fim em Si Mesmo

Mantenha-se em pé para
prontamente caminhar,
ou então mate-se antes,
ou ante o temor de seguir:
Vá! Enfrente. O dia da
morte pode ser melhor 
do que o dia do nascimento,
porém, morrer antes da 
hora é viver tardiamente.
Viva agora! Seja, já é tempo,
ouse ser, sempre, seja o que
for, mas seja, ou senão não 
saberá nunca o que vem a
ser a vida que existe além 
desse, ' e se, ou se...', não 
permaneça incólume, nem
percorra tua existência como
uma incógnita, não hesite,
excite, exerça sempre o que
não se pode ser jamais por
mais ninguém, exceto você.
Apenas você terá de fazer,
execute si mesmo.

domingo, 24 de maio de 2026

A Maldição

Os que vivem pela poesia
morrerão pelo frio fio do
aço do próprio verso.
Morrer de poesia, pelas
mãos da própria poesia 
morrer, quem diria, um
poeta que tanto quis servir
a poesia, que tanto quis 
vê-la livre e fê-la livre, a
primeira coisa que Ela fez
ao desvencilhar-se das
amarras da métrica foi
matá-lo, envenenou sua
verve e serviu para ele como
se fosse um doce e inofensivo 
verso.

O corpo do poeta jamais foi
encontrado, e dizem que sua
desgraçada alma habita cada
um de todos os seus poemas,
e que ao serem lidos, ela passa
a assombrar pelo resto da vida
e a habitar os pensamentos do
leitor desavisado que teve a
infelicidade de ler tão 
desgraçados e malditos versos.

Coalizão

Não quero contato imediato
pacífico, espero destruição,
quero colisão, quero um
choque abrupto de solidão 
intergaláctica, quero uma
união para ambos anularem-
se, quero apocalipse mútuo,
armagedom a dois para
toda alma solitária.

Nunca foi Deus

Nós criamos um
Deus imperfeito 
a nossa imagem 
e semelhança e
Ele nos arruinou,
porém, nunca
foi Deus, a culpa
sempre foi nossa.

Resistência

Utopia anacrônica:
de vanguarda pra ontem.
Pra sempre enquanto nunca.