terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Aritmética Aristotélica

Desatar os nós dos meus
dedos tortos e empunhar
a pena para desenhar meus
retorcidos versos:
desdenhar da métrica e do
academicismo, definhar a
estética que sugere, ou
melhor, que dita regras e
formas exatas de poemas
para se fazer poesia.
Nada pode soar mais patético 
do que achar que o 
conceito de poesia tem
alguma coisa a ver com
o formato quadrado da
forma final do verso,
forma quadrada ou qualquer 
outra pré definida em
cartilhas de poetas 
catedráticos pré-ocupados 
sempre apenas com a forma
e jamais com o conteúdo.
Inspiração para eles é achar
uma palavra que caiba dentro 
da métrica do protocolo e
estrutura da rima,
ou do ritmo da rima com a
métrica, que deve
obrigatoriamente 
ser isso para rimar
com aquilo e soar
agora dese jeito para
depois poder rimar
com o verso de acolá:
Abaixo a métrica!
Abaixo a rima!
Rítmica ridícula, boba,
e estúpidas que empobrecem
a poesia, demonizam o
texto poético e
enraivezem poetas que
lutam pela liberdade 
ideológica dos versos.
Liberdade para ser e existir
da maneira que cabem onde
quer que queiram se
permitir ser e estar para
poder fazer tudo aquilo que
a inspiração do poeta tem
a dizer, ou tem a calar.

Simetria nada tem a ver com
poesia, poesia desmesurada
por natureza, pela sua natureza 
desmedida, poesia em si mesma
compreende também todo o
entorno. Poesia é um universo 
em constante expansão, e não 
somente um ponto denso e
compactado.
Minha poesia é muito mais do
que formatos pré estabelecidos,
desenhados e re-desenhados
apenas por uma questão 
d'estética, poesia é anti-estética,
não tem a ver com aparências,
pois foge de querer se parecer
com qualquer outra coisa que
não Ela, poesia não se parece
com nada, não é palpável, é
antimatéria, é maleável na
medida que se desenvolve
para mais ou para menos
dentro ou fora dos seus
limites inexistentes...
mas jamais minha
poesia caberá 
dentro de 
formatos
e moldes.

À rigor por via de regra,
o rigor:
dà rima,
dà forma,
do ritmo a reger o enredo 
dentro de um limite que
caiba o texto.

A ranger os dentes da poética 
de raiva por não poder estar
disposta no poema por completa.

Poesia é, por via de regra,
a medida daquilo que não 
se pode medir,
e mesmo assim
medita o poeta discípulo 
da métrica sobre como
pode deixar a poesia mais
complicada e hermética:
uma poesia excludente de
versos e não inclusiva de
todo tipo de versificação 
que a inspiração possa
realizar.

O poema é só um dos
muitos e variados corpos
da poesia, o éter poesia
que pode preencher não 
só o quadrado, mas também 
o círculo, o triângulo,
agroglifos, e qualquer outra
característica geométrica
da forma final daquilo
que se escreve:
Poeta escreve poesia
e não desenhos técnicos.

Que herói mesmo seja o verso livre,
e não o metro heróico, ou versos
em tetrâmetro trocaico, pentâmetro
ou cantos poéticos em hexâmetro
dactílico, parece-me muito esdrúxulo,
em se tratando de poesia, todos esses
termos, diria, estúpidos.
Metro iâmbico, ou o escambau, para
versos decassílabos ou dodecassílabos
para um poema simples ou profundo:
o que me importa o número de sílabas 
se o que tenho a dizer como poeta é o
que diz minha poesia com todas as
letras que ela tem a declarar, e não 
como ela faz isso, compactando versos,
encaixotando-os de forma a esquartejar 
a poética e inspiração, ou seja, o que
traz minha poesia são pergaminhos
densos, desconformes, destoantes, etc.,
de uma escrita profunda e, assimétrica
a linha de raciocínio, o texto é todo
proposto, propício e proporcional a
tudo aquilo que tem a dizer a pena,
e não como cadernetas em brochura de
anotações técnicas, de capa bonita,
vindas dentro de caixas de sapatos,
ou charutos, com desenhos
simétricamente precisos de caracteres
ordenados matematicamente idênticos
dentro de quadrados ou quadras 
retangulares ou cilindros triangulares
ou triângulos acutânculos e o que mais
pregar a maneira correta de ordenar os
versos dentro de estrofes perfeitamente 
alinhadas dentro de poemas alinhados
como que se os versos ali presentes
fossem soldados de algum exército 
em formação para algum exercício de
guerra.






quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Vade Mecum

Evadir-se dessa humanidade torpe,
eis minha vontade:
esvazia minha alma de vida a morte?
Jamais! Porém, jaze já e desde sempre 
essa alma em vida, devida a vida ser
sempre vazia.
Minh'alma viva vibra com a 
imponderável 
possibilidade da morte, 
pois Ela permanecerá ativa,
enquanto vazio o corpo sob a terra
apodrecer.
Entretanto, minha alma não pisará
com seus calcanhares nos céus,
não caminhará sobre as nuvens e
tampouco sobre brasas acesas de
qualquer inferno em chamas,
andará por entre os vivos divertindo-
se transvestida e transvertida em
fantástico fantasma, assustando a
assustadora raça humana.

Cânceres e Cigarros

Certezas e decepções, amálgama!
Quem é Deus, quem é o Diabo?
O Diabo em meus dedos,
em meus lábios...
Deus em meus pulmões, está!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Noir Poesia

Não há aplausos,
você não ouve,
não houve espetáculo,
você não viu:
não houve você?

e algo mais não haverá tampouco,
ficam com o que sentem, com o que
se tem mesmo sendo tão pouco, ou
nada ou quase ou nunca e/ou de novo.

Não à Arte mais
Não há mais Arte
Não há, mas...
Não amas
Não amais Arte?

Não à Poesia 
Noir Poesia etérea 
Não há Poesia
Não há Poesia eterna?

O último Poeta morreu,
morreu o único, o primeiro 
último Poeta morreu:

Foi morto amou ser,
foi morto e amou ser assaz assim.

Foi morto per si,
por si mesmo morreu,
foi morto por isso mesmo morreu,
foi morto matou-se assassinato,
foi vítima, foi íntimo de si e assim
assassinado.

Matou-se e amou se...
Matou-se e amou ser.


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Só, Sóbrio e Sombrio

Três Vezes Poeta:

Minh'alma
hum oceano 
habitado por
nômades pescadores 
e palafitas abandonadas.

Meu coração orbita um Pulsar.

Minha consciência 
é um pescador 
ébrio e solidário,
quando não um
astronauta só,
perdido, sóbrio 
e sombrio.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Paranóia

Adicionam 
áudios falsos,
silêncios
altissonantes,
aos meus
ouvidos:
por dentro 
do lado de
fora da
minha cabeça,
seria
esquizofrenia,
se fosse o
contrário,
mas se não 
é, é
o que?

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Surrealista

Sou incapaz de escrever sobre
datas e lugares.
Não há aqui dentro espaço algum
onde caiba uma parede para se ter
pendurado um calendário:
Não Existem Átrios no Infinito.
Existem apenas janelas que
flutuam e que descortinam
horizontes com ávidos olhares
fantásticos para mim...
e eu correspondo
e corro ao encontro como
que se não soubesse que quanto
mais eu me aproximo,
mais fico distante:
Da Janela 
Do Horizonte,
mas jamais de
mim mesmo,
por isso escorro,
deslizo como que se derretido
Dalí, da minha figura fugindo,
voltando pra minha perspectiva,
observando.