terça-feira, 21 de julho de 2026

Eu, demonista

Eu sigo feliz,
pois soul feliz,
sempre demons
dada com Deus,
meu Deus, é claro.

Isto é

Nem tudo é Deus, 
dizem, isto é,
apenas quase tudo
pode ser Deus:
Quase é Deus sim,
ou ao menos
poderia ser, e o
resto, ou seja,
Tudo, esse não é.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Filactera

Uma imagem
fala mais do
que mil
palavras:
-ah! quem me
dera eu
pudesse
desenhar
meu silêncio.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Ressentido

Ser ateu não por
duvidar ou por não 
acreditar na
existência divina,
ser ateu por (acre-
ditar) não ser um
Deus também.
Ser poeta não para
fazer versos medíocres,
ou bem polidos e
metrificados no
modelo exato como
diz a bíblia, digo,
a cartilha, ser poeta
para através da
poesia poder ser
um Deus também.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Quando Ontem será

Morrem aos montes
muitos Hojes querendo
ser Amanhã, e deixam
de viver a glória que é
ser Hoje, pois um número 
muito reduzido consegue 
chegar lá, e quando 
conseguem perceber-se
Amanhã, quase todos
lamentam ser e parecer
o mesmo Hoje de antes,
mas acontece que antes
Eles eram verdadeiros e
atuais, úteis, e agora se
veem deslocados, obsoletos 
e ultrapassados.

domingo, 5 de julho de 2026

Práxis

Entre as vísceras do poema,
por entre as entrelinhas, nas
entranhas do âmago dos
versos, lá, ao longe, de onde
nasce e surge toda a sombra
ou sorte de cores cinzas e
púrpuras que colorem sua
escrita, ali, entre penumbras,
se abriga e habita o poeta.
E aqueles que encontram seu
esconderijo, ao voltarem de
lá, não voltam, ficam para
sempre achando terem 
escapados. Mas jazem lá 
suas almas, sepultada e vivas.
E delas o poeta se alimenta e
municia sua poética e afia a
lâmina do aço de sua verve
nos crânios das almas cativas
para poder produzir mais
versos e para que sua poesia
possa fazer mais vítimas.
Esse poema é carne, leitor, e
sua alma pertence agora a 
esse corpo poético.

Versos Saturnais

Meus versos são máscaras
vivas, másharas, alegorias
místicas que usam meu
rosto e face como traje,
usam minha cara de poeta
como fantasia para suas
festas regadas a drogas,
sodomização da métrica e
sexo entre deuses e Eles.