E vivemos sob sua égide como se
Deus, Ele, não existisse.
Deus não existiu nem um dia sequer.
Indiferente a nossa vontade, jamais
quis existir.
Deus desistiu de nós como se existisse,
ou como se não existíssimos para Ele.
E quando, ou melhor, toda vez que se
inventa Deus, Deus dá de ombros e
segue inexistindo como se existisse de
fato em algum lugar qualquer ou
específico, ou em todos os lugares,
simultâneamente: Somente o nada
preenche tudo ao mesmo tempo.
Deus é nada, ou Deus não é nada?
Deus é Deus e basta, seja lá o que
isso quer dizer.
Deus insiste em não existir e resiste
fielmente a nada ser para todos, e a
ser tudo para muitos que acreditam
n'Ele, como que se, esse, pudesse
existir. Não existe e, desse modo, ou,
por isso mesmo, nada pode.
Eu assumo que não me apetece e
aceito que não existo para Deus, e
respeito. Espero que Deus me conceda
a graça da reciprocidade.