sexta-feira, 19 de junho de 2015

Entrelábios

Ambas despiram-se,
uma defronte a outra,
timidamente.
Uma era o espelho da outra,
e a imagem que o espelho 
revelava era de uma jovem
nua, tão linda quanto virgem,
a pureza de uma era a castidade
da outra.
Deitaram sobre o leito
ardente do desejo, uma, 
com a volúpia presa a boca
foi descendo pelo jovem seio
da outra, passou pelo umbigo e
então numa delicadeza assaz 
feminina, os lábios da boca
de uma beijaram suavemente
os lábios da vagina da outra,
ardente e úmida.

entre diabos

Estava entediado,
entre diabos,
na angústia da
ociosidade que nos
causa a falta de
satisfação, pensei
"vou escrever sobre
isso". Depois de
escrever sobre meus
demônios, virei poeta,
e hoje, olhem só,
continuo na mesma
merda, mas já não
me entedio mais com
a mesma disposição.

Subterrâneo

Depois da queda o
subterrâneo,
é por onde irei,
não precisarei mais
de asas nem de
paraquedas daqui
pra frente por onde
rastejarei.
o modo errôneo da
vida acontecer
comigo é o prelúdio
de tudo por onde
errei, deveria ter
tido pulso firme e
desde o principio ser
quem segurava as rédeas
da existência que
subestimei, da minha
existência que como
crença religiosa eu
sempre desacreditei.
Agora como uma viscosa
minhoca apenas as trevas
do submundo habitarei.

Quotidiano

Em dias como hoje
eu queria apenas
eu mesmo, longe.
Muito longe de dias
assim, como hoje.
— lembro que ontem
foi um dia destes.