terça-feira, 27 de junho de 2017

Eversão

Reles, razoáveis,
ruins, rasos e raros
versos...não há
rato que roa o já
roído e em ruína
deteriorado mérito.

Nisso tudo

Sou um semi quase,
se me cabe ser algo
nisso tudo, na vida,
na fatídica história
do mundo.
Se pelo não querer
saber eu advogue,
referente ao nada,
se talvez ad hoc eu
fosse ou busca-se
ser, então para o
tudo num todo eu
também poderia ser,
um talvez. Ou não.
Quem sabe alguma
coisa nisso tudo,
poetas, filósofos,
deuses e diabos
do mundo?
Tudo o que sei, sobre o que
compreendo é o que penso
saber, e aquilo que não sei
possui as mesmas qualidades
e características quando julgo
sabê-lo, pois, sendo assim,
o que afinal detém toda a
sabedoria, e até onde ela é
verdadeira?
Os físicos e os loucos,
em sua maioria, são os que
mais sabem, os cientistas
sabem que sabem muito
pouco, por isso o exercício
da ciência.
Os religiosos se apegam e
fazem carreira na ignorância
por serem, nisso tudo, os mais
miseráveis.
O poeta por nada entender
faz poesia, a poesia por nada
explicar (a única que, por si só,
explica- se sozinha) habita nisso
tudo as entrelinhas.
Os filósofos, coitados, por acharem
que sabem tudo, da graça da
sabedoria, são com certeza os mais
desgraçados.
O amor sim, ele sabe, nele está a
resposta de tudo, de e para todos,
porém, nesse mundo, não há nada
mais misterioso e incompreensível.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sou Mais

Tão mais,

a vida, a
natureza, o
universo.

Um dia feliz que
variavelmente
sempre vem.

Ah, o amor...
Demais!

E eu tão
somenos,
mas, ao
menos,
comigo mesmo,
em paz.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Dândi punk

Acima do cimo da mais alta
aflição Deus é útil,
abaixo disso,
dinheiro e saúde.
Peço perdão de joelhos,
pois em pé cansei de ir atrás
de ilusões, e se me perdi é
porque a liberdade que recebi
era apenas para rezas e orações.

Eu não sei rezar,
eu só sei fingir.
Eu não sei amar,
eu só sei fugir.

Há uma variável em
minha volição que,
religiosamente,
duvida de tudo,
e nesse exato momento
está ela agora
contestanto arbitrariamente
essa minha sincera
afirmação:

Minha alma é um vil cavalheiro,
dissimulado e torpe, nada é por
inteiro e tão menos é só metade,
como a sonata para piano numero
quatorze, ela é a primeira parte
sempre, mas também quando quer
é a segunda, a terceira, algumas
vezes se diz ser Beethoven...mas
na verdade não passa de um vil
cavalheiro imperativo, faz o que
quer, não escuta ninguém nem
nada ouve.

Eu sou e tão nunca fui,
...sou o que hoje ainda não.

sábado, 17 de junho de 2017

Bolsonismo

Caras  brancas, caucasianas,
feias, bobas, francas.
Crachá carranca,
máscara face de caráter
quase, porém plena,
toda hedionda.
Faces em ênfases de
escárnio, uns olhos que
cospem, sempre no olhar
trazem escarro,
desprezo toxico por
qualquer diferente imagem.
Face faz-se fascista
em face de semelhantes
faces, redudantes fazem-se
em frases de medo e ódio,
em frágeis contextos ilógicos,
nazis utópicos, fantoches,
fanáticos, fantasmas fantásticos
de um fracasso ideológico.
São todos tão bons,
são vis cristãos do diabo.
São o axioma do mal, do
mau que se soma ao
discurso estúpido daquele
a frente destas faces tão
débeis, tão reles, tão praxes,
tão reses, tão férteis para o
caos...para este Fausto assim
implantar seu tão sonhado
neo Holocausto, sua verdadeira
intenção afinal.



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Babilônia Poesia

Ando sem motivo senão
o voluntário ato de caminhar,
ando sem pressa nos passos,
regulando nos pés a velocidade
máxima do modo devagar.
Ando e percebo que quando
canso, contra a fadiga vou
por aí passear.
Ah! se eu escrevesse como
ando, talvez algum dia então
eu pudesse alguns passos
meus publicar.

Mas ando em rima,
sem métrica, pra baixo
e pra cima a pena por
aí a camimhar,
vago pela minha sina
vaga, vazia, perdida buscando
um rumo para se inspirar,
e quando encontra divaga
sozinha seus versos meio
coxos por alguma calçada
esquecida de uma esquina
qualquer da Babilônia poesia,
minha morada como poeta
andarilho, um velho mendigo
que não carece de esmolas
para versejar.

domingo, 4 de junho de 2017

Candeeiro

Lá fora o vento sopra um outono
inteiro, aqui dentro acende-se a
vela, o lume da alma, candeeiro.
Agora o inverno faz-se imperativo
em face das minhas escolhas, eu
miro naquilo que aquece e acerto
sempre o frio, mas aproveito para
aprender, como sempre faço, de
modo sutil, a desvendar a deliciosa
sensação do calor de um abraço.
A primavera, agrimensora dos
campos floridos, surge em minha
janela aos prantos do frio fugindo,
eu a abrigo em meu jardim imaginário
de amores e de lírios.
E como uma canção cansada do
estribilho, observa-se no horizonte
um sol fatigado que caminha, vem
para nos dizer que nesse poema
não haverá sol nem andorinhas.


O Gérmen do Nada

Sou eu o aposento do absurdo,
a alcova da solidão, a harmonia
dissonante das coisas, o gérmen
do nada, a possibilidade de tudo.

Sou o paradoxo da contradição,
a beleza do que poderia ser e a
tristeza do que realmente é.

Já fui poeta, homem, criança, mulher,
sou a imagem e semelhança de Deus,
embora Deus não se pareça comigo.
Sou eu da minha vida um anti-herói
assim como Deus é um moçinho bandido.

O vilão será sempre o enfadonho destino,
que traz nosso fardo chorando para nós
carregá-lo sorrindo, mas não.

Aequilibrium

Da vida eu quero mais,
eu quero tudo que não
seja demais. Eu quero
equilíbrio agora, não depois.

Depois, eu não quero o nada
vindo perturbar minha balança,
vindo pesar e desequilibrar a
contradança das minhas conquistas
que podem ser tantas, hoje
esperanças apenas,
amanhã empíricas.

Da vida eu quero mais
e tudo o que é meu,
não quero excessos,
não quero menos,
quero equilibrio...

principalmente de Deus.

Abaixo o desequilibrio dos ceus
Abaixo a ganância dos Homens
Abaixo a inercia do nada
Abaixo os excessos de todos,
de tudo, da vida, do mundo, dos tolos.

Viva a nobreza da alma,
salve a grandeza de poucos.