quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Desengano

Vede oh vate
o que vale tua existência
se teus versos nada valem,
o que valem os teus versos
se em tua existência eles
não cabem?

Do que uma vinda perdida
mais vale um adeus,
pois lhe falhou a vida e
falha te deus,
lhe falhou a pena nas
linhas percorridas por
tua escrita e nelas tua
verve morreu.

Vade oh vate
não há nada em tua poesia
que seja teu,
não há poesia,
e se pensas que produziste
alguma, não produziste,
lembra-te que tua verve morreu,
tu à mataste quando insististe e
muito, durante muito tempo que
eras um vate,
não és, nunca foste,
o que houve foi só impressão
pois tua existência nos moldes
desta vida nunca coube,
e como alento para tua tristeza,
escreveste, mas produzir poesia,
oh vate não lido,
tu nunca soube.

Soulstício

sabe minha solidão que
já fui outono quando era
primavera,
hoje sou inverno!
e os que esperam minha
queda no futuro,
eu lhes asseguro que isso
nunca verão.