quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Graças adeus

Sob a sombra do sol
ou acima do brilho da lua,
me assombra a crença de
todos os filhos da ira tua.

Há morada nos céus para
os que não são astronautas?

E para um ateu,
e se fosse eu,
o que haveria:
boas vindas...graças...adeus?

Última Canção

Não há eternidade suficiente
para tanta solidão,
se existe está toda
em meu peito em
forma de coração.
A única companhia presente
é o silêncio da batida,
que ressoa e...soa
como última canção.  

estupro

Por tuas carnes
eu ascendo o inferno,
me incitas ao ato
masturbatório,
i n c e s s a n t e m e n te.

Tua alma me deixa absorto,
me eleva ao paraíso,
mas não é disso que preciso
uma vez que tenho teu corpo,
d e f i n i t i v a m e n t e,
comigo.

sábado, 6 de setembro de 2014

Ríspido Raio

enquanto tiver
bebida em meu copo;
enquanto houver oxigênio
queimando em brasas e,
desse modo,
do meu cigarro estiver
saindo fumaça, digo,
é quase certo que ainda
estarei vivo.

enquanto houver a
opção do suicídio;
enquanto alguns demônios
habitarem meus ouvidos e
sussurrarem em áudio quase
inaudível, elementos para
minha poesia irascível,
estarei vivo.

enquanto não houverem
leitores para minhas
razoáveis páginas,
estarei vivo, pois há glória
apenas no tempo póstumo
para aqueles que estão
a frente do tempo que gozam.

estarei vivo enquanto flertar
com a morte e cortejá-la no
último baile, enquanto eu admirar
o seu porte e me embriagar de
êxtase em seu colo, certamente
estarei vivo mesmo que este não
seja meu propósito pois,
neste derradeiro baile,
meu corpo em riste, queria eu que
essa dama já me tivesse em
sua suíte.

estarei vivo sempre que o outono
ainda tiver estação;
sempre que o cinza dos céus
na paleta de deus ainda houver e
for opção;
estarei vivo enquanto a chuva
puder minha alma às nuvens levar,
e depois ao solo,
num ríspido raio,
em meu corpo,
de novo,
essa alma voltar.

estarei vivo mesmo não lúcido e,
em meu poslúdio, apenas a loucura
poderá atestar que sim,
ainda vivo,
mesmo já mastigando as frases
que prenunciarão o tão aguardado
f i m.  
   

esses poemas

me sinto preso à vida pela pena
— de nada me vale este posto de vate!
quem dera valesse me minha existência,
como  o som que é preso a língua
pelo fonema, mas de nada lhe vale
o silêncio que o cala.
— como de nada nos valem esses poemas!