terça-feira, 18 de março de 2014

MERDE!

quando a vida em sua mais suja máxima
diz que só existe satisfação na conquista,
eu percebo o quanto durante toda minha
história nunca fiquei satisfeito. eu, como
um péssimo otimista, insisto em observar
tudo de outro jeito. para tudo aquilo que
ainda não aconteceu, há bastante tempo
no futuro para que esse mesmo 'tudo aquilo',
quem sabe, possa acontecer. mas ninguém
sabe. nada pode acontecer! talvez o futuro
seja uma perda. mesmo assim, anseio pelos
dias que virão, e diante da estréia de cada dia
eu grito MERDE!, emocionado pela possibilidade
de obter talvez alguma satisfação de merda.


quarta-feira, 12 de março de 2014

A Vida Disse Não

aquele que cantou o suicídio em
seus versos, morreu de velhice ainda
pensando em se matar;
aquele que desnudou tantas musas em
seus poemas e que com ardor tocou e
provou do sexo das mesmas, viveu em
total celibato e morreu virgem, exausto,
de tanto se masturbar;
aquele que incitou revoluções e que fez
da sua pena a espada anunciadora da
transformação, morreu sem nunca ter
participado ativa e fisicamente de nenhuma
tentativa de derrubar o Estado;
aquele que por tantas vezes negou a
existência de Deus, que repudiou a
providência divina e se proclamou senhor
do seu destino, pediu clemência aos céus
na hora da morte e fez do mesmo contestado
Deus, o supremo senhor da sua sorte;
aquele que se dizia poeta, que se sentia poeta
pois, em tudo que olhava via poesia, à esse e
à todos os outros personagens desse poema
canção, a vida não aceitou-lhes a proposta,
a vida disse não.

Spleen

aos que se aquecerão no fogo eterno,
aos que como eu, terão vida eterna ao
serem condenados, apresento-lhes
o círculo vicioso da nossa condenação:
vida-fardo-morte-alivio-vida-fardo-morte-alivio-vida...
inferno, caros pecadores, é reencarnação.
e se aos que decidem extirpar a própria vida
não cabe perdão, então digo-lhes que,
o suicídio, é a redenção.