segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

À(creditar)

paz à narquia,
para se organizar...
inocular no cerne do caos
uma dose de adrenalina,
para a narquia ter reciprocidade
com sua natureza primitiva,
e assim, à divindade Caos
celebrar a destruição,
a desordem,
a quebra de
toda forma
concebida
como ordem,
como ideologia,
como vida.

paz à narquia
para a revolução
tida como ideia fixa
ser esquecida.

viva a tirania!
viva a autarquia!
viva enquanto ainda
há filosofia à tua altura,
para assim você propor,
com sabedoria, a ruptura.

Soneto

o que será de nós se tudo
isso for amor? pior será,
quando um de nós lembrar,
que isso tudo foi amor.

o que farei comigo, num frio
domingo, quando estiver só,
suicídio, será que haverá
solução melhor, talvez Beatles?

roubarei de Jesus a patente,
e em mim todo esse amor
agora latente, darei a ti.

assim, enfim reformulado, possamos
quem sabe, viver esse amor em
vaidade e sermos por ele, crucificados.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

etimologia

o fazer poesia,
a minha poesia,
é numa ilha deserta
ser demagogo e,
para tudo que é inóspito,
demagogia.

-minha poética é do insólito
a etimologia.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Desapareceu Sara

Enquanto olhava a chuva lá fora,
Sara chorava. Gostava
de qualquer coisa que acontecia
fora daquele lugar, assim,
já não suportava mais estar ali.
Os cigarros não ajudavam mais,
mas eram indispensáveis,
ainda restavam quatro.
'Deve dar até me tirarem daqui'.
A chuva continuava a cair,
calma, tranquila no seu objetivo
de molhar, e caía com a segurança
que tem quem realiza uma tarefa
quando sabe que, aquilo ali,
ninguém melhor fará.
A chuva jogava-se das nuvens
até a contemplação triste de Sara,
seus olhos marejados devolviam à
chuva a mesma e molhada obstinação,
chorar, chover...
Como era possível observar o céu
dali onde se encontrava? pensava
Sara.
a face cinza do céu, naquela hora,
dizia à Sara que seria, talvez, a tampa
para seu túmulo se, à visse ali,
outra vez.
Pelo menos estava abrigada da chuva,
estava seca, mas sentia muito frio,
não chorava mais, mas presa ali,
talvez nem o silencio à ouviu.
A chuva ainda caia, sutilmente,
como uma modorra, era quase
hipnótica aquela suavidade toda.
Sara adormeceu.
Acordou assustada, sendo
encarada pela pálida lua,
acendeu um cigarro, ficou em pé,
deu dois passos, foi até a pequena
abertura onde pôde ver melhor a
lua lhe olhando de soslaio,
estremeceu.
Fazia muito frio. Quanto tempo
passara? certamente não amanheceria
viva se não saísse dali, pensava Sara.
Pôs-se à fazer um esforço
enorme para lembrar como
foi parar ali, tentava,
não conseguia, a última coisa que
lembrava era estar ali olhando a chuva,
lá fora.
Ainda restavam três cigarros.
Ainda chovia.
Ainda olhava a lua.
Sara percebeu que pela pequena
abertura, onde era possível
observar a lua, talvez com
muito esforço seu corpo
passasse, quem sabe assim
pudesse sair daquele lugar.
Pegou algumas pedras para usar
como apoio e subiu, alcançou
a pequena fenda e, incansavelmente,
pôs-se à tentar passar o corpo
já cansado pela abertura, não
obteve êxito, desistiu.
Sara jogou-se ao chão,
completamente desesperada,
pior do que não conseguir sair,
era não saber onde estava e
nem lembrar como foi parar ali.
Ninguém buscava por ela
lá fora, de onde Sara se
desprendeu, havia passado
um pouco mais de doze horas
desde que sumira.
nunca mais foi vista,
Sara, desapareceu.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ah!Narco

quero um comício para os rebeldes.
marchando rumo ao poder,
um plebe encarando o Estado,
não há de volver para a direita
ou esquerda, há de se dirigir para
o cerne, sendo ele agente do colapso,
há de seguir em frente em cólera,
aos verbos, todos com os punhos
cerrados.

o Estado em estupor
em estado de estupor
minha mente estuda
um estupro contra o Estado.

já não suporto minha ressaca
ante toda essa sobriedade,
é inanimada a sociedade,
é tetraplégica, covarde...do
nada para o caos, eis o
itinerário para os não satisfeitos,
dos males o mais letal, é o povo
agora resolvendo de outro jeito.

o Estado em estupor
em estado de estupor
minha mente estuda
um estupro contra o Estado.

quero um palanque para os revoltosos,
quero um levante, um propósito.
que cada filho deste solo hostil
seja um homem bomba a postos.
vivemos em ruínas, mas somos nós,
desse país, os destroços...
estamos todos nós, nesse país,
e s t u p o r a d o s.

nesse torpor, minha mente estuda,
um  estupro contra o Estado.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Poeta 4G

aquele que mede os campos do pensamento e,
faz mais, lavra-os,
tornasse Ignaro ante todos seus contemporâneos.
esse tal agrimensor das idéias,
esse ignóbil diante aos que se prendem em
modernas rédeas, tecnologias nulas alimentadas
a base de néstias, faz uso da ignomínia em
todas suas palavras, quando postas em
trajes de poesia, quando salmodiadas
em ira fria,
d e c l a m a d a s.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Todo Quando Paraíso

é através do silencio
que se ouve;
somente cresce aquele
que está propenso ao
auge;
a crença em toda ciência
luze, na religião somos
todos apenas carregadores
de cruzes;
todo demônio é deus quando
todos somos hereges,
e todo fiel é ateu diante à
incapacidade de um deus
que não serve;
toda ferida sangra quando
cutucada e, toda ferida é
chaga, quando é pelo amor
abaixo assinada;
todo amor é falho, gasto,
se tornará eternamente efêmero,
é no dia-a-dia que sobrevive
ao uso desmedido por milênios,
é falho quando o 'eu ti amo' é
dito antes do coração precisar
do seu oxigênio;
toda mulher é musa, é deusa,
é mãe, é puta, é origem...
é através dela que nascemos e,
é por ela, que matamos, morremos;
todo poeta é filosofo, toda poesia
é mais que metafísica, toda certeza
está no lógico e, toda magia, encanto,
quimera e feitiço, está na pena desse
mesmo filosofo enquanto há silencio
para isso...p a r a í s o.