domingo, 29 de setembro de 2013

Blah!

endossa a coragem e vai,
teu medo enquanto órfão
sempre o chamará de pai,
teu anseio por gloria será
apenas aflição, nada mais.

levanta a bandeira de tua índole,
ou para sempre, entre tantos, será
só mais um incapaz.

imune à rebeldia,
e um dia,
acerca de tua
existência,
Blah!
t a n t o  f a z.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sepse

a poesia, minha convicção
íntima, discursa sobre
igreja em meu foro íntimo,

discorre acerca
do meu discurso ímpio,
minha apologia:

-Tua crença- dizia- serve
farta ceia de imundície
forjando ser total assepsia. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Silente

cospe com conhecimento de causa,
o silêncio,
toda a informação que me vale e,
sendo ele um atrevido boquirroto,
com muito custo o forço que se cale,
com um uníssono estridente arroto.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Pró ao Despropósito

não sou poeta de haicais,
não mais, nunca fui.
não há pressa,
não é rápida,
minha poesia não é plástica.
a palavra em meus poemas
é um objeto que,
da maneira como escrevo,
se molda aos olhos de quem lê.
apresenta as cores para colorir
um universo inteiro, ou desbotar,
inverter.

abaixo as formas concretas!
abaixo a métrica!

ao concretismo
ao minimalismo
brada o
bardo com
ardor

a única forma exata na poesia
é o formato dos olhos do leitor.


domingo, 1 de setembro de 2013

átomo

minha fé não é morada de nenhuma divindade prostituta.
meu deus é a natureza e a consequência da minha conduta.

à nenhum santo vendo minha luta,
não me rendo às desgraças que me
impõe os que querem a minha culpa.

não temo a derrota
e minha gloria não está
no sangue do filho de
nenhum pai fictício.

bíblia ou sibila, tanto faz qual a
insígnia da insídia ou qual o silvo
da perfídia.

em torno do meu pecado, assomo.
ao todo, sou todo átomo, carbono.