sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ultimato

No subsolo,
observando telhados,
do mais fundo poço,
no mais nobre solo.
Vivendo em destroços
do povo que canibaliza
a autoestima, que não
desanima na saudade da
vida que almeja, deseja
que a vida seja ao menos
vida. 
Quem nasceu no porão duma
América imunda...
ascender, crescer, subir e ver
que sótão é cobertura é 
sobreviver, e sobre viver
sabe-se muito quem muito
labuta, eu não escondo minha
culpa, sou brasileiro nato e nessa
pátria puta que clama socorro,
cada dia é de luta, é ultimato ou
M O R R O!!!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Davida

sei da certeza que acredita na minha plenitude
como algo incompleto, a vida.
eu à deturbar meus vícios,
à derrubar teus mitos...como quem ousa
distribuir sanidade num hospício,
prefiro cantar a loucura em seu silogismo.

sinais de fumaça orientando meu futuro
quando tudo for passado, aguardo seguro,
pois ainda há saúde queimando em meu cigarro.

carbonizando a vida que arde em ironia.
acinte ávido, o poeta,
assaz picardia, a poesia.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

in natura nua

criatura única na natureza,
mística, deusa.
teu berço o universo,
tua beleza existe endêmica nesse
paralelo...arte sacra exposta nas
galerias do inferno.
Mesmo que o desejo de outros
olhos à toquem,
ainda que algumas feministas
discordem,
tenho que dizer, mulher!
A nudez é teu melhor uniforme.




terça-feira, 6 de agosto de 2013

Soneto

Do plural de 'único' ao
cinismo incomensurável do
infinito ao tentar ser mais do
que ele mesmo, é muito é

tudo, mas é único.
Tão só ao ver reverberar
por toda sua extensão
o burburinho uníssono

do silêncio de tudo que é só.
É algo que tudo invade, é pó,
infinito é a poeira solitária de Marte.

Espera um dia que lhe valha a sorte,
o infinito deseja morrer, mas como
expirar sendo ele sinônimo da morte?