sábado, 27 de novembro de 2010

poeta de um milhão de versos

não há ambição em tentar viver de palavras!
ainda mais quando a poesia se torna barata,
fraca, vazia, resultado do brado de um poeta
calado, dono de palavras elegantes,

no sense, sem interesse algum ao que possa
ser comum sobre o que propõe o poema.
o que os versos querem quando o rumo a
seguir é o dilema de um poeta incansável

e sua enferma pena? o que os versos pedem
não são outros versos, mas talvez o propósito
que merecem perante suas formas definitivas

depois de desenhados, e não se verem imersos
por uma super população boba e estúpida de
um milhão de versos pobres e inacabados.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

soneto

perdi você. talvez seja minha culpa
mas aquele seu amor de puta , nunca
soube me merecer, hoje você e sua
postura antimusa repudio a meu bel prazer.

indômita fêmea dos dissabores que a vida
me propôs, vejo-te bebendo meu sangue
e rindo depois, seus rubros lábios ainda
provocam e insinuam sabor.

tu que outrora profanou me amar, ignora-me
como quem ignora um mal estar. não há nada
como não ter o teu olhar.

há dias que flerto com o receio de ainda
ti desejar, mas opróbrio homérico seria
pra mim se ousasse ainda ti amar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

poeta mudo

nunca houve medo que me fizesse
não expor, nem nunca houve
vergonha em assumir em meu
foro íntimo a existência  de
um demonio interior.
os leitores que de bom grado
bebem da minha poesia
também provam o uso
da violência lírica desse
demonio que me domina,
e que habita à todos, mas há
hipocrisia inerte e voraz dentro
daqueles que escondem que
também gostam de lama suja
para brincar. não posso dissimular
nem esconder, meu lado sujo é
muito mais interessante que essa
minha pálida face de poeta mudo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

aonde está você que não está!

lembra das nossas caras à arder
quando nos contemplávamos em gozo,
e presos pelos nossos corpos íamos
ao inferno em prazer?
hoje encaro minha face e, em frente
ao espelho me masturbo
pensando em você.
aonde está você que não está!
lembra das nossas cartas de amor,
onde nelas prometíamos um ao outro
sermos pra sempre cúmplices de um
amor que nos merecesse, e que
mataríamos quem se opusesse?
você se foi e eu não ti matei,
penso que aquele amor não nos
merecia mesmo, hoje percebo que
você matou o sentimento que se opôs,
eu fraquejei você se foi.
aonde está você que não está!
lembra das nossas noites de loucura,
as bebidas as drogas o roquenrou
os outros casais que percebiam o quanto
não eram como nos, a nossa singularidade
como par, os mais admiráveis a se amar,
éramos o refrão de toda canção que propusesse
sexo, drogas, roquenrou. diversão.
hoje não há mais festa em mim, não
há refrão nem canção, porra nenhuma.
apenas resquícios de um homem que
outrora tinha o mundo, em suma:
aonde está você que não está!

imagem

a paixão de um vencido
em busca da gloria à
contemplar minha postura
de medíocre escória, um
olhar de incentivo da fé
cega dos idolatras de
uma esperança imposta
pela queda me implora
que lhe dê uma esmola,
minhas conquistas como
moeda de troca pela meta
que atingi, a de ser sempre
um fraco à admitir minha
postura filhadaputa de um
merda à emergir, uma bactéria
que busca força na musculatura
da miséria, são breves as vontades
que tenho de viabilizar os sonhos,
as ambições de um mundo pequeno,
olhando um enterro, o desejo que tenho de
aproveitar o ensejo e me encerrar também,
ir embora dessa droga, dessa vida que me irrita
com todas as suas provas que nunca me fizeram
ser um homem de fibra que se dedica a felicidade
de todos à sua volta, minha proposta é não aceitar
a verdade que jura que tudo tem resposta, que
nessa vida não há nada impossível para aquele  que
se esforça, derrota, essa é a verdade que me cobra,
a única coisa que conheço é desmérito
em minha alma que me sufoca, eu num ambiente
errado, como um revolucionario que luta com a
mesma postura de um ditador fracassado, eu como figura
erudita de um poeta de versos imersos em uma conduta
lasciva, em tese o que me salva é minha pena maldita
que rege sob o signo da mais pura perfídia, em meu
peito insídia como a insígnia que o espelho não reflete,
a imagem...a paixão de um vencido
em busca da gloria à
contemplar sua postura
de mediocre escoria,
a imagem.