sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

revelia

os outonos passaram.
estima-se que se viva,
mas na vida que se vive
não há estimativas de que a
mesma tenha qualquer
tipo de estima por aquele
que na reprimenda à estirpe
da vida é voluntário intolerado.

os versos já não bastam enquanto
outonos passam, e, eu pela vida,
inviabilizado marcho.

sábado, 27 de novembro de 2010

poeta de um milhão de versos

não há ambição em tentar viver de palavras!
ainda mais quando a poesia se torna barata,
fraca, vazia, resultado do brado de um poeta
calado, dono de palavras elegantes,

no sense, sem interesse algum ao que possa
ser comum sobre o que propõe o poema.
o que os versos querem quando o rumo a
seguir é o dilema de um poeta incansável

e sua enferma pena? o que os versos pedem
não são outros versos, mas talvez o propósito
que merecem perante suas formas definitivas

depois de desenhados, e não se verem imersos
por uma super população boba e estúpida de
um milhão de versos pobres e inacabados.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

soneto

perdi você. talvez seja minha culpa
mas aquele seu amor de puta , nunca
soube me merecer, hoje você e sua
postura antimusa repudio a meu bel prazer.

indômita fêmea dos dissabores que a vida
me propôs, vejo-te bebendo meu sangue
e rindo depois, seus rubros lábios ainda
provocam e insinuam sabor.

tu que outrora profanou me amar, ignora-me
como quem ignora um mal estar. não há nada
como não ter o teu olhar.

há dias que flerto com o receio de ainda
ti desejar, mas opróbrio homérico seria
pra mim se ousasse ainda ti amar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

poeta mudo

nunca houve medo que me fizesse
não expor, nem nunca houve
vergonha em assumir em meu
foro íntimo a existência  de
um demonio interior.
os leitores que de bom grado
bebem da minha poesia
também provam o uso
da violência lírica desse
demonio que me domina,
e que habita à todos, mas há
hipocrisia inerte e voraz dentro
daqueles que escondem que
também gostam de lama suja
para brincar. não posso dissimular
nem esconder, meu lado sujo é
muito mais interessante que essa
minha pálida face de poeta mudo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

aonde está você que não está!

lembra das nossas caras à arder
quando nos contemplávamos em gozo,
e presos pelos nossos corpos íamos
ao inferno em prazer?
hoje encaro minha face e, em frente
ao espelho me masturbo
pensando em você.
aonde está você que não está!
lembra das nossas cartas de amor,
onde nelas prometíamos um ao outro
sermos pra sempre cúmplices de um
amor que nos merecesse, e que
mataríamos quem se opusesse?
você se foi e eu não ti matei,
penso que aquele amor não nos
merecia mesmo, hoje percebo que
você matou o sentimento que se opôs,
eu fraquejei você se foi.
aonde está você que não está!
lembra das nossas noites de loucura,
as bebidas as drogas o roquenrou
os outros casais que percebiam o quanto
não eram como nos, a nossa singularidade
como par, os mais admiráveis a se amar,
éramos o refrão de toda canção que propusesse
sexo, drogas, roquenrou. diversão.
hoje não há mais festa em mim, não
há refrão nem canção, porra nenhuma.
apenas resquícios de um homem que
outrora tinha o mundo, em suma:
aonde está você que não está!

imagem

a paixão de um vencido
em busca da gloria à
contemplar minha postura
de medíocre escória, um
olhar de incentivo da fé
cega dos idolatras de
uma esperança imposta
pela queda me implora
que lhe dê uma esmola,
minhas conquistas como
moeda de troca pela meta
que atingi, a de ser sempre
um fraco à admitir minha
postura filhadaputa de um
merda à emergir, uma bactéria
que busca força na musculatura
da miséria, são breves as vontades
que tenho de viabilizar os sonhos,
as ambições de um mundo pequeno,
olhando um enterro, o desejo que tenho de
aproveitar o ensejo e me encerrar também,
ir embora dessa droga, dessa vida que me irrita
com todas as suas provas que nunca me fizeram
ser um homem de fibra que se dedica a felicidade
de todos à sua volta, minha proposta é não aceitar
a verdade que jura que tudo tem resposta, que
nessa vida não há nada impossível para aquele  que
se esforça, derrota, essa é a verdade que me cobra,
a única coisa que conheço é desmérito
em minha alma que me sufoca, eu num ambiente
errado, como um revolucionario que luta com a
mesma postura de um ditador fracassado, eu como figura
erudita de um poeta de versos imersos em uma conduta
lasciva, em tese o que me salva é minha pena maldita
que rege sob o signo da mais pura perfídia, em meu
peito insídia como a insígnia que o espelho não reflete,
a imagem...a paixão de um vencido
em busca da gloria à
contemplar sua postura
de mediocre escoria,
a imagem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

amorrer

meu amor,
o mundo acabou
e nós,
não acabamos juntos.
a vida e seus dissabores
meu amor,
acabou.
prometemos que viveríamos
um pelo outro
mas nós meu amor,
acabou.
esse sentimento intenso
(propenso a cada lembrança
à ser mais forte ainda)
em um mundo que já
não existe, ainda vive, e
esse amor vivo, comigo,
meu amor,
acabou.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

versos decaídos

percebi a santidade da minha pena
quando desenhei o primeiro pecado,
em forma de poema, o meu ato de
desagrado aos puritanos fez
admitir em mim a existência de
um poeta profano.

minha pena entusiasta
brada pela rosa que
desabrocha num jardim
imundo,
uma virgem que se corta
pela angustia de nunca
ter sido tocada, nem por
um segundo, nem por um
canalha.

meu canto vai
pro ato do estupro
que traz à força
prazer à moça
que não nega no
escuro que gostou do
absurdo da violência
que sua boca do ventre
sofreu, o corpo gozou
a alma morreu...

vou pelo desespero
do espelho que reflete
o ensejo de apenas
conceder imagem ao
caos, a destruição moral
de toda criatura que
busca e abusa do pudor,
do moralismo hipócrita,
do amor e de toda alegria
devota de paz interior.

minha pena desdenha,
desenha pequenos demônios,
sinônimos de rebeldia
donos de talentos singulares,
de trazer alento a todos os
covardes que negam a si
mesmos sua própria alforria, e,
na solidão a cocaína que alivia,
me enamora e vai embora
deixando-me nas proximidades
da depressão, outro dia,
outra hora, outra droga e,
quem sabe agora a redenção.


lastimo o fato de você,
leitor ingrato, achar
artificial o resultado final
do pranto da minha pena vadia,
afinal, quanto a esse pequeno
dilema, espero mesmo que não
se renda a minha poesia, posto que
a mesma vicia e faz de quem
nela acredita, vermes, pessoas vazias.

esse poeta de brados incisivos
faz ver sobre seus cantos subversivos
algo que soa como erudito, pois isso,
apenas isso explica a ascenção da
maldição dos seus versos decaídos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

poema descartado

que bom que a vida me sorri,
depois de tanto não esquecer que
vi você partir, ti vejo ainda tão
linda, a mesma musa que um
dia eu à mereci. mas hoje não
aprecio o modo que deixa
existir, você só me olhou,
não me releu, posto que eu queira
ser um poema seu, se encarasse
minha alma iria perceber o quanto
ela brada por você,e esse é o valor
dela que tanto estimo. se houvesse me
relido compreenderia a maneira minha
de amar nas entrelinhas do meu estilo.
há amargura sobre mim e em toda a
extensão consumada do meu destino,
isso se deve ao fato de um dia
eu em ti ter existido, hoje escurraçado
vago por aí tropeçando em meu declínio,
sou vasto de um amor aborrecido
admitido em recusa por você
mais uma vez me expulsa de tentar ti
merecer. mendigo humilhado,
poeta ultrajado, um pobre diabo
apaixonado, que na intenção de
pertencer a você se transformou
em poema para habitar os seus
guardados, acabou como papel amassado
jogado à lixeira, descartado.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

me suicidou

você me suicidou,
após você, eu em mim
acabou. não existo no
que sobrou, dei fim
no que sou para
não lembrar que amei,
amei e esse amor me
suicidou.
deixar que vá embora
a pessoa que se amou,
matar-se a toda hora
pensando em quem se amou...
aquela que se foi
dissipou o meu amor
me fez não ser com
o que passou, me fez assim, e,
assim não sou, me suicidou.

estiagem

prometi que faria apenas
poesias apaixonadas, versos
de amor. fui buscar
inspiração dentro das
lembranças da única
dama que amei, não achei,
o que trouxe comigo
apenas vestígios de talvez.
talvez eu jamais houvesse amado
com a mesma energia que
ela me deixou - não tivesse
me amado, dona, não do jeito
que não bastou.
e agora, por ora, não
haverá versos de amor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Casmurrice

Diga ao velho mundo
Que cansei das boas novas;
Diga a surda tecnologia
Que minha natureza humana
É clássica e tradicional;
Diga as minhas preces que
Deus é misantropo ;
Diga a minha amada que nunca
Penso nela quando me masturbo,
Mas diga que a amo;
Diga às vadias que hoje
A noite é das virgens,
E diga as virgens que
Nessa noite todas são vadias;
Diga a meus amigos que
Suas garotas são feias, gordas e frias,
Mas diga que são fervorosas
Quando querem agradar;
Diga aos idiotas que
A estupidez é um abrigo
Pois a sabedoria é um passe
Livre para a loucura;
Diga a loucura que já
Me sinto abrigado;
Diga a José que sua busca acabou,
Que a poesia o esqueceu e
O horizonte se dissipou;
Diga ao poeta que se cale,
Mas que sua pena justifique
A casmurrice.

assim

há treze minutos e cinco anos atrás
vive em minha memoria o começo do
desastre que meu coração sofreu, ainda
se recupera de um grande trauma.

há treze minutos e cinco anos atrás
conheci uma garota impiedosa e honesta, meu
amor já não era mais aceito, minhas bobagens
já não tinham graça, meu potencial questionado.

há treze minutos e cinco anos atrás
me vi diante de uma fraqueza que até
então não havia provido, incapaz de suportar uma
rejeição, tornei-me capaz de não mais amar.

há treze minutos e cinco anos atrás
morri. nunca mais me recuperei dessa perda
hoje sou poeta, sou um vagabundo,
um sujeito de extrema tristeza, hoje sou poeta.

há treze minutos e cinco anos atrás
passei a domesticar as minhas mais selvagens
ideias, as palavras que dão fuga a minha arte
habitam meus pensamentos profanos e ordinários.

há treze minutos e cinco anos atrás
depois de não ser mais o que provavelmente eu não
conseguiria ser, decidi não me humilhar mais pra minha
existência, passei a escrever versos e viver dessa maneira.

há treze minutos e cinco anos atrás
pedi um ultimo beijo à minha musa algós
com os lábios tremulos colhi da boca da dama
que me feríra seu beijo de adeus, que me deu para a partida.

há treze minutos e cinco anos atrás
tudo aconteceu exatamente assim
há treze minutos e cinco anos atrás
comecei a trilhar um caminho vazio pro fim.

poeta canalha

há um lugar aonde todas as
musas permanecem intactas
mudas, puras e castas, possuem
o desejo de serem tocadas, de
de que lhes aflorem a alma,
sintam seu perfume, e às
devorem com calma.
flores ansiosas por adubo,
musas que respiram o anseio
de atenção, virgens que trazem
consigo, não o sonho encantado
de um príncipe qualquer, fulano,
mas o ardor de serem
transformadas em mulher
pela pena de um poeta profano,
dono de palavras que
lhes toquem o âmago,
poeta viril, capaz não apenas
de lhes dar a graça de
habitarem livres na poesia,
mas que tambem possa ser
um competente amante vil
que às violente em suas
mais sórdidas fantasias.
nesse claustro, impregnado
pelo cheiro do cio, habita um
poeta canalha, capaz de
transformar a mais pura musa
dona de encanto juvenil, na mais
suja e sórdida vadia que
nos versos de todas as poesias
jamais existiu.

soneto

toda essa insatisfação que vem assim
gratuitamente, me propicía a ser
improprio para a liturgia, toda essa inquietação
é a ação dos meus versos pedindo alforria.

oque rima com dislexia, as palavra que
minha pena cospe na face da poesia?
como posso emancipar versos, poemas, sonetos
se ao lhes dar forma definitiva passarão a ser
[obsoletos]

não posso eu, poeta misericordioso
impedir que existam livres por aí
rimas e rimas provenientes do ócio

e que elas sempre tragam em si
o poder que a poesia tem de
libertar, subverter, perverter.
[eis o propósito]

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

nada

a cruz à carregar
a certeza de que nunca
fiz o que nasci para fazer,
poeta de truz a lamentar
em incansáveis e desbotados
versos a tristeza da incompetência
da satisfação em se expressar...

se perder em palavras, em
poesia desacreditada, uma maneira
de existir dentro da imagem
do destino que não reflete nada,
cores de uma vida apagada.

minha namorada morreu!

minha namorada morreu!
morta e sexy!
é sexy o corpo morto
me parece bastante atraente
minha namorada defunta
o corpo frio não me da arrepio,
me excita imaginar, tocar
o que sobrou. a morte maldita
não apagou seu sex appeal,
minha amada namorada morta,
me deixou ao morrer,
sucumbiu o amor, renasceu em prazer,
minha namorada morreu!
quem me dera ser um verme
para seu corpo comer,
quem me dera tê-lo, sem adeus

o que outrora era
tão belo não era,
aqui o que se encerra, vida?
a beleza que desperta no
corpo a morte viva,
jaz assim a minha bela.

chão

olho o chão, olho por
onde piso e piso por
onde olho, olho o chão
já pisado, visão do passado,
por onde passaram transeuntes
apressados, passaram à ignorar
o chão. em frente, a diante
ainda pisam o chão,
chão que não se cansa, que
não reclama, que apenas
atua como algo que é,
chão.

soneto

certamente saberás que é amor
o que inquietamente cultivo
em meu peito toda a noite
em meu leito, rispidamente

saberás que é verdadeiro o
desenho romântico do soneto
apaixonado que destilo com
minha pena sincera e loquaz,

entenderás que passeio pelo
infinito quando exclamo à ti
doces versos que busco em meu íntimo
[assim]

claramente amarás à mim, e
compreenderás que irreverssivelmente
seremos pra sempre um do outro o fim.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

art naif

estrago a fuga ao me deparar
com meu retorno,
viajo ao lago e após
me afogar, mergulho
mais um pouco, no poço,
no lodo. vendo meu
medo pelo preço de
um apego a figura
dos heróis, vasto é
o desejo de ser honesto
ao modelo de nunca usar
a moda pelo que sois.
rendo o desespero
dos momentos de
lembrança ao que não sei,
ando meio fora de área
devido a meus passos
concentrados rumo à
ignorar meu alter ego
canalha. sei que quase
tudo é sobre mim,
meus versos todos
falam sobre algo ruim,
inapto galã, poeta abstrato
de poesia pagã, pena viciada
dona de uma loucura sã...
descreve penares em apoio
a minha superestimada
alto estima anã.
contudo, ao todo, desequilibrado
chego ao topo, vejo o jeito,
estudo o que é correto
e vou pelo meu modo,
desço do leito, volto a fugir
encaro os estúpidos e me
caracterizo à segui-los.
mostro que é livre
a maneira que vive
minha arte ingênua,
sublinho o rascunho
queimo a ideia de
padronizar a expressão
de todos que possam
escrever um pouquinho.
é bela a vontade de romper
com os poetas acadêmicos,
violento suas musas que
buscam em minhas trovas
fuga dos versos de bosta,
não tenho limite, nem pauta
escrevo apenas o ensejo de ser
pra sempre o mesmo ser
de vontade livre, individuo
capaz de tentar algo mais
longe de tudo que possa sugerir
qualquer ideia padronizada.
tolos são os outros
arcaicos e eternos, condicionados.
prefiro a efemeridade das escolhas
à parte dos donos da cartilha
minha arte é sozinha
mas vive
feliz, pois triste
é um mundo de rimas vazias,
bobas e perfeitas em demasia.

"abaixo os puristas"

soneto

vamos assassinar os inocentes,
rir da falta de saúde na face dos doentes.
foder a ternura, o encanto, todos os
presentes, a crença no bem, a paz no ambiente.

sou uma bomba de ódio e raiva, sou
o que a vida planejou, sou ódio sou raiva
sou o que me acalentou, sou a fúria que
deus criou pra o homem podê se expressar.

vamos estupidamente sorrir para o apetite
da miséria, desejo uma visão de caos para
todos que possam abrir a janela.

maior do que toda essa minha bestial ira
é o desejo que tenho de me ver

longe dessa imunda vida assassina.

soneto

procurando passar as horas, querendo mesmo
apenas deixar o tempo passar, com calma, lento
refaço em pensamento um estudo cronológico
de todos os meus lamentos. na paz, na pausa.

pego um por um, todos os meus momentos
de apego a falta de glória, palavra de
incentivo: lamuria. analiso todos e os organizo
envaideço-os, e em mim gozo a luxuria, com calma.

percebo que de longe vem-me desejo
de contemporizar com minha infeliz
existência, pego a vontade de sumir e, paciência.

me arrependo do tempo que perdi aqui
me lamento pelo fato de não conseguir

enumerar todos os tormentos que me fazem ser assim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quadradez

deixo ser o que
procuro encontrar
dentro do que possa
existir em mim.

deixo ser o que
será de mais sagrado!
o reflexo dos
desejos ruins.

o tão aguardado
sonho débil, o reflexo
estudado atrás da
realização do fracasso.

deixo ser o que
diz o meu cansaço
exacerbado, programado
para agir no passado.

deixo ser o que
diz a máxima dos tolos,
"quando o dedo mostra o céu
o imbecil olha o dedo".

meu tão aguardado
poema de quadras,
feito de desejos de
aprender à usar as palavras.

deixo ser o que
sai dessa pena enferma,
vejo vazio um universo
de versos autênticos desse poema.

deixo ser o que
sempre tento ser em cena,
procuro achar minha persona,
onde outrora, desenhou esse poema.

deixo ser o que
é sempre coisa alguma.
me vejo pelo que sei, mas
sei que não sou porra nenhuma.

deixo ser o que
em mim possa ser toda
a estupidez, pois como poeta

vadio, vago em minha quadradez.

terça-feira, 27 de julho de 2010

romântica

quem aprisionou o amor longe de mim?
não viu minha dor chorando, fez-me assim
absoluto abandono, calor de outono
brisa ruim...
autora do fim...na minha destruição
a agente...a ação!
magnânima dama do adeus
quem me interditou, recusou
à mim podê sentir o que poderia
ser o melhor de mim
calou-me.

procuro viver de loucuras,
bebidas, vadias, drogas...
tento ser o mais profano possível
pois o contrario é a realidade sem ti,
inadmissível. não posso aceitar
o erudito, tendo que viver o peso
da falta do sentimento
que você tornou maldito
condenou-me.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

oxitimia ataraxica

procurando pelos caminhos da ideia
de conquistar a totalidade da
circunfêrencia do meu mundo,
todas as verdades dessa busca,
os eternos segundos das minhas lutas,
a ação da dislexia à aviltar minha paixão,
minha conduta.

sei que para chegar é preciso ir, mas
minha queda em ascenção não me
permite partir, tenho a intenção de vencer,
uma desculpa para seguir, prosseguir e
admitir que sim, o talvez insiste em existir...

quantos versos preciso perverter,
ou à quantos devo submeter a minha escrita?
aproximar a vontade de obter satisfação,
junto a ideia de conter os impulsos da alma?

disciplina subversiva
cocaína antidepressiva
fatídica adrenalina

no coração apenas versos
de emoção, não há sentimentos
vivos, o que ainda resta são fantasmas,
vícios da ilusão, minha solidão assombrada
oxitocina ectoplasmica
oxitimia ataraxica...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

lamentos

tivesse eu socorrido-me à tempo,
hoje não seria apenas poeta de lamentos.

sorri-se eu para as desventuras da minha existência,
hoje para como minhas conquistas
não ficaria apenas na iminência.

-se eu soubesse administrar minha problemática capacidade,
e fosse, quem sabe, audaz na minha força de vontade,
hoje minha liberdade seria capaz de me abrigar
em toda e qualquer possibilidade.

um personagem à margem da vitória,
as conquistas, sintomas que desconheço
meus desejos, cismas... buscas pela glória.

não fosse dono de um coração independente,
o amor talvez não fosse um sentimento indiferente,
interessante em sua escencia, mas esse poeta vazio,
pelo amor se encantou apenas pela aparência.

-hoje penso...

tivesse eu socorrido-me à tempo
hoje não seria apenas poeta de lamentos.

domingo, 25 de abril de 2010

ANTIMUSA

agora entendo esse riso faceiro em sua face,
sente prazer em ser primeiro o que é de praxe e
depois o escárnio é o próximo passo para cada
laço que queira construir com o otario
da vez que acaba de sair do cima do
seu suado corpo.
ah! como tu és nobre minha doce vadia,
tão nobre quanto o sangue podre
que regularmente sai de dentro da boca de seu ventre.

agora entendo o seu gosto agridoce,
seus beijos sabores enxofre.
de mulheres como você, vem-me o medo de sua sina,
ainda tenho em minha boca
o gosto azedo da sua vagina.
ainda tenho em meu peito as chagas abertas
por suas garras de vil messalina.
anti-musa, senhora dessas rimas,
minha repulsa por você exclamada nessas linhas,
minha recusa em aceitar sua estúpida pose de rainha.

agora percebo todo o seu cinismo,
entendo sua luta contraria ao meu romantismo.
puta sem eufemismos!
seus olhos lindos, dignos de estrabismo,
seus seios que, em deleite ardiam em prazeres
na verdade não passam de úberes secos, tetas de espinhos.


agora aceito ser apenas só mais um.

Fragmentos de amor

como a vida é bela e doce,
agora até as coisas mais abstratas
tem poesia,
hoje o silêncio tem melodia.
pensar em ti é...
esquecer que a vida nem sempre foi essa maravilha.
lembrar de você é deixar-se ir em êxtase,
ataraxia.
todos os outros, a multidão,
os malditos comuns, o resto de tudo,
o universo...
toda a imensidão é coadjuvante,
perante a ti nada é mais formoso.
você protagonista absoluta dos dias
que me resta nesse mundo.
és minha beatriz,
tua existência me guia feliz para frente,
sempre.
és a Eva que me leva ao paraíso e me diz:
-prove-me e abrace o infinito.
ah! como admiro a ideia de que um dia
aceite meu coração como abrigo,
deusa dos meus delírios,
dona de tudo que hoje em mim possa ser
bonito.
tua beleza é inédita e superior
à tudo de belo que possa existir.
é a intensidade de uma supernova
seu olhar...
mais gracioso e radiante que o luar,
como queria ser aceito por ti como um
apaixonado par.
desejo tanto seu beijo
sonho em mergulhar em sua boca e
afogar-me em seus lábios,
seus doces e delicados lábios.
desejo o calor do teu corpo,
o ardor do amor,
és a brasa que me incendeia.
lança em mim um sentimento incandescente e
então explode o meu ardente desejo de devorar
você por inteira, ah! inacreditável fêmea,
faz de mim uma realidade
um mundo que permita que apenas você possa
existir.
és agora e pra sempre em mim
o sentimento mais puro e verdadeiro que possa
existir.
e se um dia, esse simples poeta
tiver a certeza que nunca poderá
ter-te enfim,
saiba então que passarei a habitar
apenas esses versos,
pois sem ti, pra mim,
a melhor alternativa é...

extinguir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

soneto

ah! como se faz para vencer?
como que se cala essa cabeça,
como raciocinar com o coração,
como emancipar essa grandeza?

ah! se esses versos bastassem,
se meu aspecto fosse reflexo
de uma satisfatória certeza,
se esse soneto trouxesse gloria e beleza.

ah! como calar minha tristeza vitalícia?
porquê o outono se foi,
me resta agora apenas o que me resta.

como se faz para vencer?
como que se cala essa cabeça?

como que faz para deixar a festa.

ID

não sou mais o mesmo cara que nunca quis ser.
começo a reconsiderar outros desejos de
tornar-me propenso a aceitar possíveis mudanças
internas. reestruturo-me avaliando as
múltiplas alternativas que tenho para representar
quem sou, sendo o que tanto tento ser na incumbência
de unificar tudo o que sou.


ser tudo o que puder ser!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nasceu em mim um poeta apaixonado

nasceu em mim um poeta apaixonado
você, bela dama, na noite em que
meus olhos a viram(despiram) pela
primeira vez, fez do meu coração
um lar seu, um abrigo seguro que,
lhe asseguro, agora palpita em
apuros a lhe esperar.

assas és para esse poeta pueril
seu admirador, fã de sua imagem
sob a lua, da sua incontestável
beleza pura, crua, de sua admirável
forma do pecado. seu corpo um porto
que docemente eu saberia atracar,
se me permite dizer, dele faria o
meu lar, e, a sua alma seria com
certeza meu universo paralelo, a beleza
de um mistério que eu amaria desvendar.

a poesia ficou mais lamuriosa, meus versos
agora são em prosa, sou palavras à ti,
vou além de mim, busco no lirismo dessas
linhas expressar o princípio do amor
o sentimento que me lança do precipício
a lhe encontrar, o ardor do seu corpo
a me esperar. fico a imaginar o sabor
da sua boca, penso em seus lábios que
espero um dia o doce veneno provar,
seu beijo, seu mel quero provar, fico
assim delirando e impacientemente
esperando o seu aval para ti devorar.

flor de rocha, beleza petrificada,
musa singular, saiba que um dia serei
seu grande achado, vou por ti então
assim querendo ser amado...

nasceu em mim um poeta apaixonado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lua doce lua

musa de todos os desassossegados,
dama fiel dos inquietos poetas,
feiticeira dos céus,
bruxa de sorrisos plácidos,
dona das minhas sextas...
lua...musa apaixonada.
mágoas embriagadas em lágrimas que
temperam minha face iluminada.
destiladas mágoas lamuriosas canto à ti
no grito profundo de todos os ébrios
que abrigo em mim, e,
que blasfemo sem saber por que fim.
sua crua luz me acompanha, me segue,
me segue ali, juntinho, até o fim.
musa dos desejos ilícitos, deusa pálida
da alma dessas palavras que compõem
meu pensamento:
-lua, ofereço-me a ti, nesse momento,
nesses versos aqui, vendo minha alma,
sem custo, e, à mim, aceita-me como esmola,
como amante, como poema outro, indiferente,
como voluntário sem meta à habitar seu mundo,

seu universo de boêmios e estúpidos poetas delirantes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Volume dois

...volta a andar como um louco que
nunca deixou de ser no pensar, volta
a ser o que era e o que é, e, assim
como foi, volta a ser o que sempre será...

o que procura a vida em você, é o que
ela sempre teve e o que sempre terá, é
a mútua ideia de conviver, a ideia do
entardecer vivo, e ao anoitecer, não morrer
mas se desprender da vida como quem pede
"sai fora" e viver a eternidade dentro
do risco de estar vivo numa noite louca e
perigosa, efêmera eternidade. a verdade
sobre isso é o dia que vem suave como
um tapa na cara, é você de novo, voltando
a andar como um louco que nunca deixou
de ser no pensar, volta a ser o que era e
o que é, e, assim como sempre foi volta
a ser o que sempre será.

...a droga da espiritualidade da espiritualidade
que vem com as drogas...

já é hora de revolta, os pontos fracos
já não são mais fracos, muito menos pontos
são visões psicodélicas que no auge de sua
contemplação é a sua face inexpressivamente
feliz e experiente, estragada e deprimente
em frente ao espelho, o mesmo usado como
base para aspirar a imagem dos microscópicos
pontos fracos. o que será que pensam, sobre
o que pensam os que ainda pensam?
o que tememos agora? vai homem, cansado
do fardo de ir à luta, de continuar achando
que toda essa história é apenas algo bom
para gritar, escrever, já é hora de romper
e, mais do que preciso dizer é gritar que
sempre é hora de revolta, de contestar revoltas
e de tentar achar algo novo dentro da droga
da espiritualidade da espiritualidade que
vem com as drogas

...liberdade para usar, pra jogar, pra matar
liberdade pra viver o que querer o pensamento
do sujeito que conjuga o verbo amar...

vôa às faces de toda essa grande e pueril
massa de personagens, a impetuosa ventania
de subversivas emoções, de ideias cheias de
vontade de algo mais, pois acho que, longe
do descanso, penso que depois de tanto preciso
de muito mais. sou a música que me escuta
sou, quem sou? vou na batida, no groove do
roquenrou que é a desculpa pra dizer pra vida
que sou o que sou, vou na mímica de mostrar
pra mim que posso ser o que souber rimar
comigo no sentido de amar o inimigo, mesmo
que o mesmo seja o perigo de usar a liberdade
para se embriagar de vícios, de ter liberdade
de derrubar mitos, de verbalizar e entoar gritos
de rebeldia, versos de liberdade pra usar,
pra jogar, pra matar, liberdade pra viver o que
querer o pensamento do sujeito que conjuga

o verbo amar.